O roteirista Felipe Sholl em sua casa, no Rio de Janeiro. “Falar de sexo facilita a criação de personagens cheios de conflito.”O roteirista carioca faturou um prêmio no Festival de Berlim com um curta de cinco minutos. Agora, prepara o primeiro longa-metragem
A indecisão atormentou o carioca Felipe Sholl Machado quando, aos 17 anos, ele teve de escolher uma profissão. Na dúvida, prestou dois vestibulares: jornalismo e psicologia. Com a aprovação em ambos os cursos, optou pelo primeiro por gostar de escrever. Um ano depois, abandonou as aulas e aderiu à psicologia. Suportou apenas seis meses. Decidiu voltar ao jornalismo somente para terminar o que havia começado.
Hoje, aos 27 anos, sem ter passado por nenhuma redação ou consultório, Felipe finalmente decidiu que carreira seguir: roteirista de cinema. A resolução deve-se, em parte, à excelente acolhida que seu trabalho de estreia alcançou em 2008. Com Tá, um curta de cinco minutos escrito e dirigido por ele, o jovem ganhou o Teddy Award, prêmio para produções de temática homossexual concedido pelo Festival de Cinema de Berlim. "Tudo que escrevo tem sacanagem no meio. Como a sexualidade é o que as pessoas carregam de mais íntimo, o assunto facilita a criação de personagens cheios de conflitos", diz Felipe. Seu filme, que se baseia num conto do amigo de infância Rafael Lessa, narra o encontro de dois garotos no banheiro de uma universidade.
O importante prêmio colocou o novato em evidência e possibilitou que ele estreitasse laços com cineastas experientes. "Felipe constrói personagens jovens de maneira muito precisa. Possui um olhar tão singelo quanto cuidadoso e foge dos clichês propostos pelas cartilhas de roteiro", afirma Murilo Salles, diretor de Nome Próprio (2007), longa em que o rapaz ajudou na pesquisa de personagens e na escolha da trilha sonora. Depois da breve experiência, a dupla retomou a parceria no início deste ano, quando Murilo convidou Felipe para auxiliá-lo a terminar o roteiro de seu próximo filme, O Fim e os Meios. O thriller político retrata a crise de identidade de um publicitário que atua na campanha de reeleição de um senador.
Felipe também está elaborando um roteiro, ainda sigiloso, com Sandra Kogut, diretora de Mutum (2007). "Ele se entrega totalmente ao trabalho, qualidade que fica bem visível nas coisas que escreve", elogia a cineasta.
O namoro do roteirista com a linguagem audiovisual começou já na faculdade de jornalismo. Felipe precisou realizar uma reportagem em vídeo e, apesar de não ter gostado do resultado, se encantou pelo meio — o que, mais tarde, o motivou a fazer um mestrado sobre o diretor David Lynch e a se matricular num curso de roteiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Durante o curso, em 2005, ele escreveu um longa. O texto acabou selecionado para participar de um workshop em que cineastas já estabelecidos palpitavam sobre os roteiros inscritos. Um dos consultores, o norte-americano radicado no Brasil Jonathan Nossiter, autor do ótimo Mondovino, gostou do projeto de Felipe e o incentivou a levá-lo adiante. Mas sugeriu que, primeiro, ele bolasse um curta. Foi assim que nasceu Tá.
Agora, Felipe pretende dar continuidade ao longa concebido na UFRJ, cujo título provisório é Ao Lado. A trama, bastante original, conta a história de Diogo, um adolescente de 17 anos, filho de uma psicanalista, que exibe uma estranha tara: ligar para as pacientes da mãe e se masturbar enquanto conversa com elas. Num dos telefonemas, o garoto conhece a viúva Ângela, de 47 anos, e se depara com uma reação inusitada. A mulher começa a achar que seu marido é quem está na linha, tentando se comunicar do além.
Fonte: Bravo!
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